quinta-feira, 5 de novembro de 2009


Demorei para identificar os sinais da sua chegada. Entre a dúvida e constatar que era pra valer, nem deu tempo de sentir medo. Um frio, muito mais que um frio na barriga. Uma emoção que não tem nome nem medida. Tão logo aqueles espasmos foram nomeados contrações, se tornaram mais freqüentes.Junto com a sensação de ser um relógio cujos ponteiros corriam cada vez mais rápido, a certeza de finalmente estar a caminho de conhecer a pessoa pela qual esperei a minha vida toda. A pessoa que viria me renascer.
Mas entre uma dor e outra também pulsava alegria. E pulsava inteira, brilhava, pulando que nem criança em véspera de Natal, sonhando com o presente. Durante a gravidez, por muitas vezes me peguei imaginando esse momento. Invariavelmente eu chorava. Às vezes comentava sobre isso com seu pai e o via fechar os olhos: “Amor, quando ele chegar vou enlouquecer.” Cheguei à maternidade antes do médico. Aqueles vinte minutos, sim, pareceram nove meses. Mas era só o nervosismo que agora estava intrínseco. Depois de estar lá, tudo foi muito rápido. Ouvi o seu choro. Você tinha nascido. E foi então que eu chorei também. Levei alguns segundos – o que para mim foram horas – até ver seus pezinhos perfeitos. O seu pai se emocionou nesse momento. “Ele é perfeito”, eu me lembro de ter ouvido, e logo repetido. E é. Você chorava alto, forte. Quando o trouxeram para bem perto do meu peito, simplesmente parou. Você parou de chorar, filho. E veio para me fazer parar também.

Esses quinzes deliciosos dias passaram voando. Mas foi um vôo inesquecível!

Parabéns, meu amor.