quarta-feira, 2 de maio de 2012

Falo palavrão, brigo no trânsito, bebo cerveja no gargalo, assisto filme de terror sozinha, troco lâmpada, mas no fundo eu só acho que desejo, almejo, preciso de proteção. Que sensação boba de necessidade, de querer entregar um sorriso seguido de um beijo pedindo pra se perder e se encontrar num abraço. Aquela mesma cena em 'slowmotion' que você pede pra acontecer hoje, e amanhã, e sempre, até o felizes para sempre ter fim. E depois? Que haja o depois, e o sempre, e um pouco mais, só mais um pouco, mais cinco minutos, sonha uma vez mais, e mais, e deixa eu te sonhar. E eu vou sempre pedindo, desejando, almejando. Quase sempre mais do que podem me oferecer, quase sempre mais do que eu mereço, e sempre mais do que eu tenho.

sábado, 14 de abril de 2012

Eu deixei na porta o meu medo, o meu receio, e as minhas histórias tristes, e entrei vestida no meu melhor sorriso pra você. E antes que eu pudesse ativar os meus bloqueios e complexos, você já estava lá em algum lugar e eu percebi que eu quis mesmo foi deixar você entrar. Porque no mundo ninguém nunca ouviu com tanta atenção as minhas histórias bobas e me fitou nos olhos com o seu jeito. E veio a pressa, veio o meu sorriso mais profundo, veio os teus olhos, ah, os teus olhos de um jeito que eu não consigo descrever. Veio a vontade do mais, de vários “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”, “eu fico...”, do arriscar, de me meter nessa deliciosa encrenca, de pagar pra ver, de ser a corajosa porque eu acho que vale a pena, de vários primeiros beijos com o mesmo gosto dos de ontem. Vários segundos que antecederam vários beijos. Eu me jogo sem dó nem piedade e sem um pingo de responsabilidade nos teus braços, não como cobrança, mas como promessa, porque você veio como calmaria depois de várias batalhas e guerras. Há tempos eu não me via tanto em alguém. Há tempos eu não desejei tanto um sorriso. Há tempos eu não quis tanto, tanto.

domingo, 8 de abril de 2012

Quando eu era criança eu tinha medo do escuro, medo de trovões, medo de perder minha mãe, medo de atravessar a rua, medo do boletim. Eu pensei que quando eu crescesse, os medos desapareciam, e eu seria, como todo o super herói, imbatível. Hoje eu reconheço o engano. Ainda tenho medo de quando meu coração fica no escuro, tenho medo de estar só em noites de chuvas e trovões, tenho medo de pessoas ruins, de julgamentos errados, de bater o carro (de novo), do mal que pode ocorrer ao meu filho, do que pode haver debaixo da minha cama, de ligações de números desconhecidos, de não dominar os meus sentimentos, de me render ao teu olhar de menino, medo das minhas músicas que agora me lembram você, medo de um dia elas não me lembrarem mais você, medo do dia que trezentosesessentakm forem dolorosos demais, medo de um dia te olhar e me perder, medo de um dia não te ver e te perder, medo de você ir, medo de você voltar, medo de você descobrir que eu não sou tão legal quanto aparento ser, medo da idade pesar, medo de você descobrir que na verdade eu sou bem menos adulta que você, medo de um dia depender do teu sorriso pra sorrir, medo de não depender, medo de descobrir o quanto é bom dormir abraçada com você e medo de jamais descobrir. Medo de que você seja o que eu preciso, e medo de não ser o que você quer. Medo de que não haja os fins de tarde de domingos modorrentos, que não haja ‘bom dia, meu bem’ todos os dias, medo de que seja você que vai preencher a parte vazia da minha vida, medo que não seja. Mas se você quiser segurar a minha mão, eu esqueço do medo. Prometo.

terça-feira, 27 de março de 2012

"Tudo para você"

27 de março de 2012 - Propaganda do Mundo da Barbie no intervalo dos Backyardigans.

- Mãe, você quer o mundo?
- Eu já tenho você, meu amor. E você é meu mundo, meu tudo.
- Você também é "tudo para você" pra mim, mamãe...


sábado, 10 de março de 2012

É muito mais fácil falar de dor do que falar de amor. Do Amor você não quer falar, você quer vive-lo, e senti-lo, e prorroga-lo por cada instante a mais, as várias explosões constantes que o coração emite. É tanta euforia, tanta alegria, tanto amor, que você quer descrevê-lo, mas nem todas as palavras bonitas do Aurélio parecem caberem na descrição. É um mar de intensidade e a calmaria do vento, o doce e o salgado, algo tão simples e ao mesmo tempo indeterminado. É deliciosamente confuso na clareza de um sentimento. Já a dor faz tudo funcionar de outra forma.
Na dor, o que você mais quer é contextualiza-la para que fique mais fácil de digeri-la, pra que seja mais simples de compartilha-la com os seus, e assim DOaR fragmentos dela para que fique mais suportável o doer. Enquanto o amor é feito em exclamações, a dor é cheia de reticências. Talvez... Quem sabe... Pode ser que... Se... A dor se apega a esses termos, se faz de fogueira e arde em brasa a cada uso deles.
Mas a moral dessa história é que tanto a dor quanto o amor não passam, não se engane, eles apenas são esquecidos num canto escuro e empoeirado do coração, aguardando até a próxima oportunidade de se fazerem ser lembrados.