terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Eu fecho os olhos nesse exato momento, e lembro de todo aquele sábado de 30 de novembro de 2008. Lembro do despertador do celular tocando Just Like Heaven do The Cure, e eu respirando fundo. Pronto, é hoje, eu repeti pra mim para que toda a coragem, força e esperança dos dias anteriores se acumulassem em mim. Eu lembro que era um dia nublado, e eu preferi ir a pé pro trabalho para que cada idéia se empreguinasse em mim e não se perdesse de forma alguma na ‘hora H’. Eu lembro de entrar no MSN e procurar pela amiga que me ajudou sempre me ouvindo, aconselhando e ao mesmo tempo em que colocava meus pés no chão, me permitia sonhar [Biani, obrigada!] . Eu lembro que a manhã daquele sábado nublado passou devagar, como se me desse a chance de processar cada segundo do que iria acontecer, para que eu pudesse ouvir nossas músicas e sentir mais a sua falta, e pudesse te amar ainda mais, e assim, ter mais coragem de por tudo aquilo pra frente. Eu lembro que fui pra casa, e olhei por várias vezes para celular, e disquei outras dezenas de vezes o teu número. Eu lembro que eu respirei fundo, e me preparei para falar com naturalidade, mas por dentro eu explodia de medo, de ansiedade, de vontade de ouvir tua voz. [Ah, era tanta saudade da tua voz...] Eu lembro que você não atendeu, e eu fiquei pensando se você não teria atendido por ser eu, ou porque não viu. Eu lembro que deixei o celular no quarto e fui tomar banho ouvindo aquela música que continuava sendo o seu toque e não ouvi quando você retornou minha ligação. Eu lembro que enquanto banhava eu quis chorar porque tudo que eu idealizei, toda aquela novela pra te conquistar de novo tinha ido por água. Eu lembro que engoli o choro no momento que vi sua ligação, e mais uma vez me enchi de ânimo. Eu lembro que o coração não se conteve ao ouvir tua voz. Eu lembro do quanto ensaiei o que dizer, e na hora as frases se embaralharam, mas no final das contas consegui pronunciar: “Vamos sair hoje?” Eu lembro que não acreditei quando você aceitou, lembro também do quão fiquei feliz por aquele primeiro passo. Eu lembro que aquilo seria o mais fácil. Eu lembro do momento em que você chegou, e da sensação de borboletas no estomago que tomou conta de mim. Eu lembro que fui me arrumar, e parecia que nenhuma roupa era digna daquele momento. Eu lembro que finalmente saímos, e no carro parecíamos velhos amigos que há muito não se falavam. Era muito assunto, mas tão pouca intimidade. Eu lembro que eu escolhi o restaurante, e você a mesa. Eu lembro de como o restaurante era romântico, propicio a um (re)começo. Eu lembro que você me olhava, mas disfarçava, e eu sorria pra você querendo te mostrar que meu sorriso de verdade só existe contigo. Eu lembro que pedimos nosso prato preferido, uma paella de frutos do mar, mas no final quase não comemos. Eu lembro de como a cidade estava movimentada naquela noite, e das músicas que ouvimos dentro do carro na volta pra casa. Eu lembro do momento em que você parou em frente ao portão da minha casa, e eu respirei fundo, e de um fôlego só perguntei se você queria entrar, eu nem se quer pensei que a resposta poderia ser não. Eu lembro de você respondendo tímido que sim, e pondo o carro pra dentro enquanto eu abria a porta. Eu lembro de você entrando no quarto, ligando a TV e o ar, e em seguida sentando no lado da cama que você sempre preferiu. Eu lembro do filme que estava passando, O Aviador com o Leonardo di Caprio, mas do filme a única coisa que lembro é isso, pois a minha mente estava ocupada demais pensando em uma forma de te roubar um beijo. Eu lembro que você deitou, e então encostei a minha cabeça no seu ombro sentindo o cheiro do teu pescoço que sempre foi o melhor cheiro do meu mundo todo. Eu lembro que você disse “Não faz isso...”, e lembro, pra nunca mais esquecer que nós recomeçamos ali...