quinta-feira, 25 de março de 2010

Sobre a Estigmatização da Mãe-Solteira

Eu não sou casada. Eu não sou esposa de ninguém. Eu sou mãe, solteira. Isso não implica dizer que meu filho não tem um pai. Ele tem, e ao contrário do que muitos pensam, um pai amoroso, carinhoso e presente. Sou eu que não tenho um papel assinado, ou um outro nome do meu nome de nascença. Meu filho tem nome, sobrenome, sangue e aparência de alguém, além de mim.
Eu nunca imaginei que enfrentaria preconceito porque tenho um filho e não tenho marido. Acho muito mais ridículo ter um filho de um homem casado do que ter um filho de alguém com quem eu não tenho um relacionamento. Meu filho é muito mais meu do que de qualquer outra pessoa.
Ontem, aqui na clínica, um senhor estava conversando com outro senhor que a filha dele estava grávida de um amigo. O segundo senhorzinho ficou visivelmente horrorizado, e eu brinquei com a amiga do setor: Antes com um amigo do que com um inimigo.
Ora, amigos transam entre si e quem transa corre o risco de engravidar. Não seria muito mais indigno pra ela estar grávida de um cara que já tem uma família constituída com sua esposa, filho, cachorro, papagaio e prestação de carro pra pagar? Eu acho que sim.
Eu vivo sendo ovacionada por olhares cheio de curiosidade para minha tatuagem. Alguns não se aguentam, e perguntam: "Namorado?" Prontamente respondo: "Filho" e a pessoa já direciona o olhar automaticamente pro meu anelar esquerdo. Não, meu bem, sou mãe solteira, e ótima mãe diga-se de passagem, com muito orgulho.