quinta-feira, 16 de outubro de 2008

na independência dos meus 20 anos, aspirados durante tanto tempo, estão a necessidade de você que eu esqueço sempre de reconhecer. não me deixa agora, eu preciso tanto ver teus olhos lindos mais uma vez, e mais outra vez e pra sempre. é, eu sei que nada é pra sempre, principalmente nós, seres humanos tão fragéis. mas, não me deixa agora.
eu não sei como viver sem você mandando eu ir direto pra sua casa assim que sair da clínica ao meio dia de todos os sábados. eu não sei como viver sem você dizendo que é meu amigo, meu melhor amigo. eu não sei como viver sem você me chamando de princesinha e me trazendo comida direto no computador porque o cálculo do imposto não tá batendo faz 2 horas e eu esqueci de almoçar. eu não sei como viver sem você mandando eu dormir, comer, sorrir, sair, voltar cedo pra casa. eu não sei como viver sem os teus dramas e o teu medo que eu bata o carro sempre que a tua preguiça é maior que o medo. eu não sei como viver sem o teu sorriso, sem o teu ciúme, sem as músicas que me fazem lembrar você. eu não sei como viver sem os teus milhares de defeitos, que só eu sei perdoar. eu não sei como viver sem a idéia de que um dia eu quis ser como você, sem lembrar do teu orgulho em me ter como filha, sem lembrar do teu olhar no dia que meu nome estava lá entre os aprovados do curso que ensina a tua profissão, sem lembrar do meu primeiro dia de aula na faculdade. não me deixa agora, pai, eu preciso de você. eu preciso de você na primeira fila da minha platéia. preciso de você me orientando. preciso de você chorando na minha formatura, no meu casamento, no batizado do meu filho, porque eu sei que essa veia chorona eu herdei de você, assim como tantas outras coisas.

não me deixa agora, pai, meu coração não sabe como viver sem você.