quinta-feira, 8 de abril de 2010

Bom Dia Pra Você Também!

Então, né. Tem dias que não aparece uma alma caridosa pra vir me buscar na clínica, daí tenho que me aventurar de volta pra casa de ônibus. O que não chega a ser nada agradável. Teresina não tem ruas planejadas para os horários de pico. Funilamento de vias é a palavra de ordem. Ordem não, caos.
Enfim, vamos pra casa eu, meu cansaço, meu scarpan de 9cm, minha bolsa que inviabiliza achar qualquer coisa que eu quero (gente, tinha uma Gilette dentro dela ontem, não me pergunte como ela foi parar lá) e nenhuma paciência.
Agora me diz, custa ter educação? Não custa não, Brasil. Você não precisa ser simpático com ninguém, basta ter educação. Mas eu aprendi que ônibus lotado e gente educada não ocupam o mesmo lugar no espaço. E nem em supermercado lotado. Gente de fila de supermercado e gente de ônibus lotado partilham a mesma falta de educação. Porque assim, não bastava eu ter que ir de ônibus pra casa, o pai do Theo inventou de querer passear no shopping ontem e comprar umas coisinhas pro rebento. Então, tá. Desço do ônibus com ímpetos de querer matar alguém, mas daí vejo o sorriso do filhote pelo vidro do carro do pai dele. ÃH, tava com raiva de quê mesmo?
Banho super rápido, arruma parafernália toda do Theo, passa um batonzinho, bora pro shopping?
Theo no colo, distribuindo sorrisos a revelia, mamãe se perguntando porque mesmo ela resolver ir de salto alto, e papai falando tagaleramente do trabalho. Duas latas de leite, duas latas de mucilon, minha barriga roncando, e a fila prioritária lotada de gente que não tem prioridade nenhuma. Vou humildemente pra o final da fila, né. Porque, né, alguém vai se tocar que tô com filho no colo. O Theo DORMIU no meu colo enquanto eu esperava. Um senhor me deu a vez dele, tinha só mais uma mulherzinha muito vulgar com uns brincos horríveis na minha frente e DOIS carrinhos enormes de compras. O cara atrás de mim perguntou porque ela não me cedia a vez, já que aquele caixa era pra MIM, e minhas compras eram pequenas, e o meu filho de quase 10kgs estava dormindo no meu colo. Ela só fez se virar e fingiu que não ouviu. Tadinho do cara, olhou todo compadecido pra mim. Seria uma boa pegar ônibus com ele, acho que ele não pisaria no meu pé e nem iria sair arrastando minha bolsa. Agradeci a ele e disse em alto e bom som que “EDUCAÇÃO NÃO SE COMPRA, SE ADQUIRE!”. A mulherzinha me olhou dos pés à cabeça e eu já estava com duas dúzias de desaforos pra dizer pra ela caso ela desse um ‘piu’ comigo. Só que a talzinha mandou que eu passasse. Eu, orgulhosa mais do que tudo no mundo, disse que não era mais necessário. Então ela olhou pro pai do Theo e mandou que ele passasse. Ele sim não tem orgulho, passou na mesma hora.
Mas lógico que eu não deixei ele agradecer.