domingo, 8 de abril de 2012

Quando eu era criança eu tinha medo do escuro, medo de trovões, medo de perder minha mãe, medo de atravessar a rua, medo do boletim. Eu pensei que quando eu crescesse, os medos desapareciam, e eu seria, como todo o super herói, imbatível. Hoje eu reconheço o engano. Ainda tenho medo de quando meu coração fica no escuro, tenho medo de estar só em noites de chuvas e trovões, tenho medo de pessoas ruins, de julgamentos errados, de bater o carro (de novo), do mal que pode ocorrer ao meu filho, do que pode haver debaixo da minha cama, de ligações de números desconhecidos, de não dominar os meus sentimentos, de me render ao teu olhar de menino, medo das minhas músicas que agora me lembram você, medo de um dia elas não me lembrarem mais você, medo do dia que trezentosesessentakm forem dolorosos demais, medo de um dia te olhar e me perder, medo de um dia não te ver e te perder, medo de você ir, medo de você voltar, medo de você descobrir que eu não sou tão legal quanto aparento ser, medo da idade pesar, medo de você descobrir que na verdade eu sou bem menos adulta que você, medo de um dia depender do teu sorriso pra sorrir, medo de não depender, medo de descobrir o quanto é bom dormir abraçada com você e medo de jamais descobrir. Medo de que você seja o que eu preciso, e medo de não ser o que você quer. Medo de que não haja os fins de tarde de domingos modorrentos, que não haja ‘bom dia, meu bem’ todos os dias, medo de que seja você que vai preencher a parte vazia da minha vida, medo que não seja. Mas se você quiser segurar a minha mão, eu esqueço do medo. Prometo.