quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Filho,

Dizem que o ano realmente começa após o carnaval. Mas na verdade o meu ano começou, e não exagero em dizer que a minha vida começou há um ano atrás, depois de um carnaval. Um mês antes do meu ano realmente começar, eu escrevi uma lista de desejos no qual você não estava, eu nunca imaginaria ali que você era tudo que eu queria. Foi ímpar aceitar que, nos tantos dias que viriam pela frente, ao invés de cuidar da lista, eu faria uma contagem regressiva, na torcida para que o seu olhar fosse o meu, o seu sorriso fosse o meu, a sua mão sempre coubesse dentro da minha pra te proteger. Eu fui me reinventando. Nascendo de novo, de mim pra alguém que vivia em mim e mesmo sem conhecer já era a razão do meu amanhecer, sorrir, e viver. Tive o privilégio de te ter só pra mim, dentro de mim, mais meu do que de qualquer outra pessoa. Você mexia pra mim, respirava pra mim, vivia, mais uma vez, em mim. E isso por mais que eu tentasse explicar era algo tão e somente meu que ninguém jamais conseguiria entender. A vida latejava mais forte. E era grande demais a vida que eu guardava em mim. Renasci em você, eu e você. E você ainda trouxe algo novo: um milagre só seu. Por você eu me pari mil vezes. Nova, diferente, corajosa. Atirada, confiante, inteira. Aquela urgência que eu não compreendia era a minha urgência de ser. Ser melhor pra você. A passagem de um segundo a outro nunca foi tão definitiva. Em um instante você vivia literalmente dentro de mim, e noutro eu vivia definitivamente em você. Há um ano atrás descobri você, filho. Me descobri em você. Há um ano atrás, nasceu uma mãe.