Espaço!

terça-feira, 27 de março de 2012

"Tudo para você"

27 de março de 2012 - Propaganda do Mundo da Barbie no intervalo dos Backyardigans.

- Mãe, você quer o mundo?
- Eu já tenho você, meu amor. E você é meu mundo, meu tudo.
- Você também é "tudo para você" pra mim, mamãe...


sábado, 10 de março de 2012

É muito mais fácil falar de dor do que falar de amor. Do Amor você não quer falar, você quer vive-lo, e senti-lo, e prorroga-lo por cada instante a mais, as várias explosões constantes que o coração emite. É tanta euforia, tanta alegria, tanto amor, que você quer descrevê-lo, mas nem todas as palavras bonitas do Aurélio parecem caberem na descrição. É um mar de intensidade e a calmaria do vento, o doce e o salgado, algo tão simples e ao mesmo tempo indeterminado. É deliciosamente confuso na clareza de um sentimento. Já a dor faz tudo funcionar de outra forma.
Na dor, o que você mais quer é contextualiza-la para que fique mais fácil de digeri-la, pra que seja mais simples de compartilha-la com os seus, e assim DOaR fragmentos dela para que fique mais suportável o doer. Enquanto o amor é feito em exclamações, a dor é cheia de reticências. Talvez... Quem sabe... Pode ser que... Se... A dor se apega a esses termos, se faz de fogueira e arde em brasa a cada uso deles.
Mas a moral dessa história é que tanto a dor quanto o amor não passam, não se engane, eles apenas são esquecidos num canto escuro e empoeirado do coração, aguardando até a próxima oportunidade de se fazerem ser lembrados.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Os romances que a Disney vende.

Já não basta você nascer com o fardo de sangrar uma vez por mês e às vezes ainda ter de suportar dores abdominais que nenhum ser na face da terra compreende, você ainda precisa ser corrompida pelas historinhas de contos de fadas que as indústrias cinematográficas empurram descaradamente em você para que você ache que o cara naquele fusion branco cavalo branco existe e vai vir a galope se apaixonar por você mesmo quando o rímel tá borrado.
Oi? Eu durmo direto e você ainda me ama.
Seus dentes de leite nem caíram ainda e a Disney já tá lá dizendo que você nasceu com o cara incrível reservado pra você, que as coisas sempre vão dá certo no final, e que amor-coisa-linda-de-Deus super existe e é para sempre. Vai nessa que tu te arrebenta, só digo isso.
Oi, sou feio e mal humorado, mas você me ama. Depois viro um idiota bobo e apaixonado e você me dá um pé na bunda. 

Você cresceu, percebeu que isso tudo é uma grande baboseira. Que amor é só distração e conveniência juntos num mesmo contexto. Mas as indústrias não vão deixar de tentar fazer uma lavagem cerebral em você, então surge um novo modelo de romance:
Oi, a gente é amigo, se come e não se apaixona, tá ligado?

Isso não eczisté (Padre Quevedo fellings). Um dos dois vai ser égua e vai se apaixonar. Tá, se apaixonar não é ruim, sexo com paixão não é nada ruim, mas o angu desse mingau aparece quando as exigências começam. Mas o filme acaba antes dessa parte, e você aí besta, fica pensando que o ‘feliz para sempre’ te pertence. Vai nessa.


Antes que o recalque de alguma leitora (ou leitor égua) se pronuncie, me diz só UM, um único relacionamento que não acabou. Pois é. Te liga! ;)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Oi mãe, faz um mês. A casa continua do mesmo jeito que a senhora deixou, mas eu mudei o armário das panelas, porque acho mais cômodo ali debaixo do armário da pia. A reforma nunca acabou pra variar, e eu aprendi a lavar banheiro. A senhora tinha razão, na necessidade a gente aprende. Sinto muito a sua falta, Theo também. Aprendi também a descongelar a geladeira e agora entendi porque a senhora queria tanto uma geladeira com Degelo seco. A máquina de lavar quebrou na semana que a senhora foi embora, mas como minhas unhas estavam feitas, preferi levar a roupa pra lavar numa lavanderia. A máquina foi consertada, e eu continuo usando os mesmo produtos de limpeza que a senhora usava, mas incrivelmente, a roupa de cama, a casa, a nossa roupa não tem o mesmo cheiro. Mãe, o papai suja louça demais, e todos os dias quando chego do trabalho a pia não cabe uma colher de sobremesa. Tô cuidando direitinho dele, alimento ele, passo a roupa dele, cuido pra que ele tome todos os remédios, mas ele tem andado triste. Eu não digo nada, porque meu coração berra que a culpa da senhora ter ido foi dele. Hoje eu acordei com o Theo fazendo cafuné em mim como se soubesse que meu coração de filha estava em frangalhos. A gente se olhou sem dizer nada por uns 20 minutos e eu chorei, mãe. Os domingos eram tão nossos. Acordar com os gritos e risadas do Miguel, o papai mexendo em alguma coisa que faça muito barulho pra acordar a casa toda, a senhora fazendo café da manhã. Chorei tanto, e o Theo perguntou o que eu tinha. Mãe, meu filho de dois anos foi meu ombro hoje pra que eu chorasse a tua falta. “Saudade da minha mãe, filho”. A casa vive em um silêncio ensurdecedor. Mãe, apareceu um cara legal. Ele é um amigo de muitos anos atrás, e se não fosse ele, acho que a tua ausência seria ainda pior. Ele é incrível, sensível, gentil, lindo, bem família, tem foco na vida. Acho que a senhora vai gostar dele. Ele apareceu na hora certa. Mãe, eu não te culpo por ter ido, a senhora merece mais do que ninguém ser feliz. Dói muito a saudade, dói não te ter aqui todos os dias. Dói sermos só eu e Theo. Mas mesmo entendendo, tem uma pontinha de magoa no peito. Tem muita coisa aqui dentro, muitos sentimentos que eu não consigo contextualizar, mas enfim. Saudade. Te amo.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Em um dia eu estou lá, com todas as minhas defesas e uma barreira de contenção te impedindo que tua voz pudesse quebrar todo o protocolo e me ganhar. Pelo menos eu posso dizer que eu tentei. Tentei não sentir tudo tão recíproco ao que você tão homem sente, sem medo, sem reservas, sem regras. Tentei reprimir o suspiro pelo pensamento inesperado. Tentei não sorrir pra você por qualquer bobagem que a gente tem, e não te fazer tão necessário para a manutenção dele. Tentei dominar o instinto, o impulso, a vontade de não gostar, de não me encantar, de não me deixar ser sua. Tudo em vão. Mas eu já sabia que seria em vão, mas era importante para mim tentar. Agora tudo é anseio. Pela próxima ligação, mensagens, nossas piadas (que o nosso bom humor perdure sempre), pelo próximo beijo e tua mão na minha cintura, pelo nosso primeiro pôr-do-sol no lugar que eu mais amo no mundo, e que vai se fazer de cenário eterno para nossos sonhos, nossa história, no riso tranquilo. Eu conto os dias, horas, segundos e tenho sede do teu abraço apertado, seguido daquele olhar tão apaixonado onde eu sempre me encontro, que eu sempre me perco.


"Don't see what
Anyone can see
In anyone else
But you"