Espaço!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Oi mãe, faz um mês. A casa continua do mesmo jeito que a senhora deixou, mas eu mudei o armário das panelas, porque acho mais cômodo ali debaixo do armário da pia. A reforma nunca acabou pra variar, e eu aprendi a lavar banheiro. A senhora tinha razão, na necessidade a gente aprende. Sinto muito a sua falta, Theo também. Aprendi também a descongelar a geladeira e agora entendi porque a senhora queria tanto uma geladeira com Degelo seco. A máquina de lavar quebrou na semana que a senhora foi embora, mas como minhas unhas estavam feitas, preferi levar a roupa pra lavar numa lavanderia. A máquina foi consertada, e eu continuo usando os mesmo produtos de limpeza que a senhora usava, mas incrivelmente, a roupa de cama, a casa, a nossa roupa não tem o mesmo cheiro. Mãe, o papai suja louça demais, e todos os dias quando chego do trabalho a pia não cabe uma colher de sobremesa. Tô cuidando direitinho dele, alimento ele, passo a roupa dele, cuido pra que ele tome todos os remédios, mas ele tem andado triste. Eu não digo nada, porque meu coração berra que a culpa da senhora ter ido foi dele. Hoje eu acordei com o Theo fazendo cafuné em mim como se soubesse que meu coração de filha estava em frangalhos. A gente se olhou sem dizer nada por uns 20 minutos e eu chorei, mãe. Os domingos eram tão nossos. Acordar com os gritos e risadas do Miguel, o papai mexendo em alguma coisa que faça muito barulho pra acordar a casa toda, a senhora fazendo café da manhã. Chorei tanto, e o Theo perguntou o que eu tinha. Mãe, meu filho de dois anos foi meu ombro hoje pra que eu chorasse a tua falta. “Saudade da minha mãe, filho”. A casa vive em um silêncio ensurdecedor. Mãe, apareceu um cara legal. Ele é um amigo de muitos anos atrás, e se não fosse ele, acho que a tua ausência seria ainda pior. Ele é incrível, sensível, gentil, lindo, bem família, tem foco na vida. Acho que a senhora vai gostar dele. Ele apareceu na hora certa. Mãe, eu não te culpo por ter ido, a senhora merece mais do que ninguém ser feliz. Dói muito a saudade, dói não te ter aqui todos os dias. Dói sermos só eu e Theo. Mas mesmo entendendo, tem uma pontinha de magoa no peito. Tem muita coisa aqui dentro, muitos sentimentos que eu não consigo contextualizar, mas enfim. Saudade. Te amo.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Em um dia eu estou lá, com todas as minhas defesas e uma barreira de contenção te impedindo que tua voz pudesse quebrar todo o protocolo e me ganhar. Pelo menos eu posso dizer que eu tentei. Tentei não sentir tudo tão recíproco ao que você tão homem sente, sem medo, sem reservas, sem regras. Tentei reprimir o suspiro pelo pensamento inesperado. Tentei não sorrir pra você por qualquer bobagem que a gente tem, e não te fazer tão necessário para a manutenção dele. Tentei dominar o instinto, o impulso, a vontade de não gostar, de não me encantar, de não me deixar ser sua. Tudo em vão. Mas eu já sabia que seria em vão, mas era importante para mim tentar. Agora tudo é anseio. Pela próxima ligação, mensagens, nossas piadas (que o nosso bom humor perdure sempre), pelo próximo beijo e tua mão na minha cintura, pelo nosso primeiro pôr-do-sol no lugar que eu mais amo no mundo, e que vai se fazer de cenário eterno para nossos sonhos, nossa história, no riso tranquilo. Eu conto os dias, horas, segundos e tenho sede do teu abraço apertado, seguido daquele olhar tão apaixonado onde eu sempre me encontro, que eu sempre me perco.


"Don't see what
Anyone can see
In anyone else
But you"

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Eu fiz dos meus sonhos, metas. Boa parte da minha vida eu acreditei em pó mágico, príncipe encantado e nas pessoas. Quando eu parei e percebi que somente eu mesma posso ser capaz de me ‘ser’, eu consegui arrancar do peito na frente de um mar lindo numa semana incrível um “Eu sou uma filha da puta de muita sorte”. Tudo que eu quis até hoje, eu consegui. Não consigo pensar em nada que eu tenha querido muito e não o tenha conseguido. Seja o que, quem, o que for. Eu consegui. Eu luto pelas coisas que me atraem, seja como tiver de ser, mas nunca usando ninguém. Seja aquela música que tocou uma única vez, mas estava ébria demais pra assimilar a letra e jogar no Google depois. Seja aquele cara ‘inalcançável’ de outro estado. Seja a minha liberdade, a minha coragem, a minha paz. Seja o direito de dormir mais meio segundo. A minha carteira assinada, o sorriso do meu filho, um sms que me arranque um sorriso, um beijo que me eleve o espírito, a vontade de ter quem ainda não tive, viver mais pra querer mais e conseguir sempre mais. Que venham mais contos de fadas para que tenha sempre um feliz para sempre depois de outro e de outro, até que o meu sorriso pertença a mim, a ele e mais alguém. A vida é excitante demais pra não se ser.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Não me sonhe, por favor. Eu tenho medo do que você sente, medo de vir a sentir também, medo de perder o que a gente timidamente construiu involuntariamente numa amizade de adolescência que só se consolidou numa fase que você é bem mesmo tudo que a gente quer um pro outro. Eu tenho sido tão eu mesma com todos os meus 793 defeitos na esperança de que você não diga pra mim daqui há algum tempo que eu não sou mais a mesma. Você é tão maior que tudo de minúsculo que eu faço questão me maximizar só pra não admitir o que se passa. Você tem toda uma grandeza de aceitar meus absurdos e me esperar de braços abertos para que depois que a euforia passasse, eu fosse sua. Você me ensina todo dia, e eu te ensino também. Cada um com seu tempo, com a sua verdade, completando o que é do outro sem invadir o espaço que cuidadosamente tem se tornado muito mútuo para ser individual. Nesse exato momento, você dirige trezentosesessentaquilometros para transformar meu respirar em suspirar.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

♥ Porra, Xuxa!

 Quando o Theo nasceu, eu não fui aquelas mães lhoucas que colocava Beethoven, Mozart e o caraídeasa pro menino ouvir. Theo escutava música de ninar mesmo. Às vezes rolava um Babies Go Collections, mas né, tinha nadinha eu apresentar boa música pro filhote.
Mas logo Theo conheceu a tal da Meneghel e sua prole SPB. Sem problemas, aquilo é mágico (e tá, até meio educativo), coloco o DVD, um pacote de biscoito do lado e pronto: 1h praquele banho delícia, ou para fazer as unhas, ou aquela soneca do descanso merecido. Vai lá, Xuxa, acalma meu super hiperativo.
Deu pra ter uma relação de respeito com a loira diante disso.
Mas ó, a-c-a-b-o-u o respeito quando eu vi isso no SPB11:

 Nota: Tire suas crianças de frente do computador. Imagens fortíssimas.


COMASSIM, MEO???? Passo dois anos da vida do Theo ensinando certo e errado, bom e ruim, alto e baixo, direito e esquerdo, feio e bonito para vir a Xuxa e introduzir RESTART na vida do meu filho????
Xuxa, você me paga!